terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nós


Nós, que abrimos as portas depois de um milhão de versos,
atraídos pelos cheiro do desejo, sem querer escapar.
Nós, que desabrigamos o vazio antes de um novo milhão de versos,
rendidos pelo peso do perfume, quase sem acreditar.

Entre tantos segredos revelados, ficou escondido o tentar.
Era ímpar o par que regrediu, que esqueceu.
E agora, ousei fechar os olhos e não te visitar,
Na noite, no dia, no vil vazio do segundo em que desprometeu.

Nós, que traímos o céu, obscurecemos o chão,
caímos mil dias antes de levantar.
Nós, que éramos a correnteza, a força, o destino.

Nós... que eu fiz em notas, que eu guardei em poesia,
que eu acordava enquanto dormia...
Nós... que só eu era, sozinho.
Pois sua miragem que no espelho o olhar me devolvia, também me entorpecia.

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