quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Primeiros Passos

Primeiros Passos

Há quem queria correr,
Há quem queira apenas esperar,
Há quem deseje outro caminho que de tanto correr ou esperar, desaprendeu a caminhar.

Entre os caminhos, nos encobriram os vultos, ocultos, mas tão vorazes,
Que na necessária armadilha,
Revelam o fim de todos os caminhos a nós encobrindo os rastros.

Lá, no fim dos caminhos, vi no espelho que o que deserto traz é e chance mil novos passos,
E para cada um deles, eu te deixo uma flor e um beija-flor encantado
Deixando para trás o aroma da jornada que te trará de volta as cores das estações.

É aqui, a travessia é apenas sobre primeiros passos.
E dentre todos “quens” desejando os desejos de si mesmos, existe eu,
Existo eu que te desejo mais que o desejo sabe desejar,
Que no deserto sem rastro, nos ponho de mãos dadas para os nossos novos incríveis primeiros passos.

É aqui, onde a travessia é apenas sobre os primeiros passos, que te espero.



Para minha inspiração e amor: Carla Nêdes.

01/11/17

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Nós


Nós, que abrimos as portas depois de um milhão de versos,
atraídos pelos cheiro do desejo, sem querer escapar.
Nós, que desabrigamos o vazio antes de um novo milhão de versos,
rendidos pelo peso do perfume, quase sem acreditar.

Entre tantos segredos revelados, ficou escondido o tentar.
Era ímpar o par que regrediu, que esqueceu.
E agora, ousei fechar os olhos e não te visitar,
Na noite, no dia, no vil vazio do segundo em que desprometeu.

Nós, que traímos o céu, obscurecemos o chão,
caímos mil dias antes de levantar.
Nós, que éramos a correnteza, a força, o destino.

Nós... que eu fiz em notas, que eu guardei em poesia,
que eu acordava enquanto dormia...
Nós... que só eu era, sozinho.
Pois sua miragem que no espelho o olhar me devolvia, também me entorpecia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Retro-solidão.

Mão da simples feliz certeza, a joguei fora. 
Entende sentido, o qualquer um que vê-se. 
Sobrou ponto, faltou letra e sumiram vírgulas. 
Mundo roda, sim. 
Triste e real solução a li retrocedendo sedento. 
Acabo eu aqui, solidão.


(Se não entendeu ou entendeu, leia literalmente de trás para frente).

Conhecido desconhecido

A vida cresce em cada folha que cai, cada ser que tomba ao chão. 
Engraçado é que deixando vidas para trás, a vida segue para frente. 
Tudo se renova em cada repetição pré-anunciada, mas esperada. 
Espero que o esperar revele tudo o que já se sabe, mas ainda sim se desconhece.

Fortalezas Ambulantes


Frágil vida de fortalezas ambulantes. 
A paz que pede, a fatalidade impede. 
Corra o curso que cursa aqui o pedido: 
Mesmo frágil, continue a ser fortaleza esse ambulante.

domingo, 11 de março de 2012

Eu, ela, o par e um.

Ela encurta as frases, eu poetizo as vírgulas,
Ela me revela no olhar, eu percorro as curvas dos corpos,
Eu relativizo os mundos, ela ri do tempo gasto sem tocar,
Eu chego em silêncio, ela faz o vão cantar,
Ela é a notícia da cidade, eu o malandro de um samba qualquer,
Ela sentencia minhas notas, eu a observo musicar,
Eu espero na fila das contas, ela faz o trânsito parar,
Ela santa, eu carne,
Eu desejo, ela maldade.
Mas assim é o par de dois,

que só em um se sabe explicar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A história de todo qualquer um.

Chegou no bar como de costume, pediu mais um café.
Todos lhe perguntariam: Que te fez essa mulher?
Pra te chegar tão tonto, tão torto, que nem um ponto consegue se acabar?
Ele disse:
"A dançarina das cordas, tontas... as notas me fez nun compasso desajustado, impregnado de tanto eu e de tanto ela, e de tanta vela e promessa, de subsequente adeus...
E aqui me restam 5 cordas e um buraco, no peito, banhado de vinho barato que o dinheiro deu pra comprar."
A história atraia e traia bebuns e meretrizes a dançar,
e logo todos iram um circo patético formar.
Em forma de derrotas e memórias, um blues ardil começou a se achar.
E ele que aquela altura já era, sem pressa, o maestro da orquestra despopular:
"Ah, se rói ser tão desajeitado com o jeito do coração...
Essa moça não sabe o que ela faz, quando se desfaz em medo.
Meu desejo é assim tão voraz, insano, desconhece a paz
e me faz cantar o amor nun samba-blues."
Todos a postos! Com seus copos cheios de cóleras de amor!
Brindavam ao fim, se davam ao início de mais um precipício de gostar
E ao som desse blues nada normal, amores impossíveis eram reais
Ao fundo do quadro, ali desajeitado com seu café amargo ele improvisou:
"Explicações de todas as repetições, assim é meu blue!
Quero sim, não me convém aceitar, mas me convém te convir.
Convidar-te para dançar a dança do beijo, dos corpos ardentes em fogo
que se queima em par."
E quando avistaram a dançarina das cordas, tortas, mortas,
um silêncio quase santo em todo canto ali se perpetuou.
Apesar da alegria descabida um ar de aprovação se resolveu.
E ele quase já sem palavras, diretamente a ela se musicou:
"Você não sabe saber você...
Vejo seu sim em cada fim que te mente, definitivamente...

e outras coisas que aqui não se diz, não nos cabe, mas insisto em querer."

Menina Estrela

Corre pro vão da estação
Faz jorrar teu silêncio, eu sei é assim...
Pode espelhar teu olhar
E quem sabe entornar aqui mentiras que eu sei acreditar
Foges de mim, pra perto de um fim
Estilhaços no chão notas sem direção
Sobram as horas, faltam gritos e beijos perdidos e amores no chão...
Mas cai tão nua...em minhas mãos...
Menina estrela, podes brilhar
Que quem te aceita, quer te ganhar
Menina estrela, podes brilhar
Que quem te canta, não sabe como voltar...

Samba da despedida

Faço esse samba pra me despedir
Pra me redimir do erro acertado
Juro que depois, eu não volto aqui
Para trazer as rosas que não falam
E os manequins estáticos

Quero atravessar a escuridão
Afogar a sede vil
Que não espera pra cobrar
Já não vou aqui estar, quando teu sono acordar
Quero escurecer o atravessar
Afogar os teus cabelos
Que não escondem teu penar
Já não vou aqui estar, quando tua sede te cobrar
E quando o sol nascer para ti, em cores divinais
E quando se acabar, você vai me pintar
É quando então direi... você não entendeu
Digo que fui mas sempre estarei presente nos sonhos teus
Dizes não vá, mas sempre estará ausente nos sonhos meus.
E pra terminar, deixo no altar meu último... adeus.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O mundo é um moinho



O Mundo é um moinho

"Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés.”



CARTOLA.

sábado, 12 de setembro de 2009

O espelho


O ESPELHO
Ei você...
Eu posso ir tão mais alto que o céu,
Eu tenho mais de mil máscaras de carnaval
Eu posso estar lá sem sair daqui
Eu posso esmagar o meio, prever o começo e ir direto pro fim
De onde eu sempre quis sair, mas é tão confortável aqui...

Ei você...
Eu sei mentir segredos e manter desejos,
Eu sei seguir o rastro escuro do alívio imediato,
Eu paro toda vez que recomeço,
Eu já achei minha própria pena em minha própria cela...
De onde eu sempre quis sair, mas é tão confortável aqui...

As dúvidas eu rasgo...
Meu medo é meu melhor prato...
As marcas eu mesmo faço em mim...

E é esse seu mundo reto, quase certo, quase no fim.
Esse seu jogo sujo, seu discurso mudo cheio de si.
Reconstruindo muros, no absurdo de existir,
Ah esse seu mundo... no espelho.

Ei você!
Você nunca foi tão mais alto que o chão.
E você teve tantos rostos que nem se reconhece mais.
E você nunca esteve aqui e nem ai.
E você teve tantos começos, se perdeu no meio e foi direto pro fim.
De onde a gente quis sair,
Mas foi tão mais fácil assim...

As dúvidas eu rasgo...
Meu medo é meu melhor prato...
As marcas eu mesmo faço em mim...

E é esse seu mundo reto, quase certo, quase no fim.
Esse seu jogo sujo, seu discurso mudo cheio de si.
Reconstruindo muros, no absurdo de existir,
Ah esse seu mundo... no espelho."

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre nadas e fins...

Peça para dois sopranos e piano preparado.

Sobre Nadas e Fins

“Cinzas vão escondendo a alma.
Leve pluma... Vai e cai, e traz e sai de mim!
Ate aonde levo leve sem querer parar?

Em cinzas me vi... Ah... Levo o leve som do fim, o som cheio de mim.
Nem em céus nem em sóis eu vi! Leve pluma... Vai e cai e sai de mim!
Até onde vai o fim daqui? Aonde vai?

Tortos sons me escapam e me confessam.
Ah, Ate aonde levo leve sem querer parar?
Leve sonho vão... No chão... Levo o leve som do fim, o som cheio de mim.
Escondendo a alma eu vi! Leve pluma...
Vai e cai e, sai de mim!”